quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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De cabeça para baixo sou um pacote de sentidos em infusão. Um molhe onde bate uma espécie de mar feito de muitas mãos é a raiz do teu perfume. Do alto da árvore dos marmelos vê-se a parte de trás do mundo onde vivem coisas que desconheço. Um banco de nozes é uma barreira de coral. A cartilagem e o nervo fazem do jovem aprendiz um elegante jogador de dados. De camisa às riscas não passaria da imagem de um marinheiro ébrio à espera de ser rendido. Um caminho de pedras não deixa de ser um caminho, mas tem pedras.

Um molhe onde bate uma espécie de cabeça para baixo é um caminho de pedras. A cartilagem e o nervo são a raiz do teu perfume de camisa às riscas. Um elegante jogador de dados tem pedras onde vivem coisas que desconheço. Muitas mãos fazem um coral de marmelos. Ter pedras e sentidos fins.

Etc..

3 comentários:

Anónimo disse...

Ao avançar pelo caminho, carregava as pedras que pisava. Assim a sua memória pesava na mesma proporção das pedras que desapareciam do caminho.
Cansado, descobriu que recuar não aliviva o peso. Ao percorrer o caminho no sentido inverso, carregando novas pedras, construía novas memórias.
Anónimo C

Anónimo disse...

Na vida, andar para trás é sempre andar para a frente. Não se invertem caminhos percorridos. Desconstruir é ainda construir. Desfazer é outra forma de fazer.

A vida tem sentido único.

Com as pedras podemos afugentar os pássaros. Ou enfeitar as palavras.

Anónimo X

José Miguel Gervásio disse...

Caro anónimo,

Ainda te vi no atelier do cérebro.

Um abraço