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Mensagens

Metafísica da sede (265)

Metafísica dos seres automatizados (264)

Goya, revisitado (263)

Podia viver de outras coisas, mas se pudesse ficaria saciado com generosas talhadas de melão e presunto às fatias, pão e vinho, café. A montagem já existe na cabeça à algum tempo, tendo-se definido recentemente o alinhamento, entre as sombras e a luz, permito-me apresentar a amante do Goya em versão da companhia das Índias. A 5 DE OUTUBRO, NO MÓDULO, LISBOA, SEGUE-SE:Figures and Grounds (Fadiga & Lassidão)Os limites visíveis são os dos muitos caminhos possíveis, tal como a vida no planeta se multiplicou com a finalidade de o habitar. Assim, o erro entende-se, mas não se pode confundir o todo com as suas partes, ainda que sejam mais ou menos importantes, para o todo, a soma das suas partes. O título da mostra é, pois, Figures and Grounds (fadiga e Lassidão). Este quase texto, este título, secundado por um subtítulo referido em surdina é meio furtado a um artigo sobre Barkley L. Hendricks pintor negro norte-americano contemporâneo.A presente exposição traduz-se num "novíssimo…

Uma semana em Évora (1)

Tem sido uma semana e tanto. O outro amor da minha vida mudou-se para a Rua 5 de Outubro, em Évora. A porta já está aberta, as prateleiras estão já cheias de livros que tenho ajudado a organizar letra por letra os autores dos livros. A Fonte respira e vai ganhando vida, transpira novidades. Acho esta Fonte mais bonita que a original, apesar de na primeira ter lá nascido o meu filho, por morar lá o outro amor da minha vida. Não foi a vida que mudou, têm-nos feito mudar de vida. E a gente muda, enquanto as letras encherem fontes de torrentes de vida, a gente muda. Agora é Évora que é uma cidade bonita e cheia de japoneses.Tem sido uma semana para não esquecer, passada entre parafusos e pó; vi arder, literalmente, uma aparelhagem que tocava um disco do Tartini. Hoje já não tenho pés que aguentem a ansiedade da abertura. Às portas do Giraldo, entre a Sé e o céu de Évora cheio de pássaros que não sei o nome, mora a nova Fonte de Letras. A porta tem o número 51.(Nas vitrines), o Arcimboldi …

O critico de arte (261)

O crítico de Arte, atarantado com a luz que emanava das coisas, vivia num jogo de sombras.Postado com o Blogsy

Carta ao Crato (260)

Meu caro Nuno Crato. A forma como ouso tratar-te não é desrespeitosa, acredita. É para que melhor nos entendamos naquilo que te pretendo dizer. Sendo tu e eu ambos professores, teremos, certamente, muito em comum relativamente à profissão que exercemos; e é por isso que a ti me dirijo desta forma, colocando-te olhos nos olhos, à mercê do que te vou dizer, à altura exacta a que deveriam estar todos os professores deste país. Olhos nos olhos Nuno, nós nos teus e tu nos nossos.Quero dizer-te que nunca vi no meu local de trabalho tão vivo sentimento de solidariedade entre os meus colegas professores. Como bem sabes, quando cheira a esturro, a classe docente tem por hábito unir-se. Mas, desta vez, estamos para além do espírito corporativo, ou da cega sensação de pertença a um grupo profissional.A experiência rara que vivemos tem uma razão. E eu vou-te dizer qual é: estamos unidos defendendo os nossos postos de trabalho. De facto, acredita que, a nossa luta, se resume simplesmente à defesa d…

Estar em greve. (259)

Distante do mundo é o lugar sem nome onde processo algumas coisas. Define-se em volta de um círculo de alfinetes este imaginado espaço. Tem uma rebelde fronteira que me recuso para já a cruzar. Saído dali sou outra pessoa mesmo que carregue nas mão vestígios do delicado trabalho de subir e descer para apanhar significativos e pérolas. Dali para fora sou outra coisa, aborreço-me. No limite do árduo, sonha-se, igualmente, bem. É por isso que não me interessa que ignorem o que faço, ou que não me entendam vizinhos e conhecidos. Incomoda-me estar ao mesmo nível da simplicidade e do agrado comum.Apetece-me uma cerveja gelada enquanto percorro emoções a fio. Mas não tenho nem copos altos de beber cerveja, nem, tão pouco, à mão uma cerveja que se beba. Gosto de cerveja, entre outras coisas. Ainda por cima chove e, a esta hora, não haverá nada aberto em lado nenhum. Assim, satisfazer o meu desejo seria tarefa difícil. Para além de gostar de ouvir o barulho que a chuva faz ao bater nas folhas…