"A Filha do Chinês Diante do Lago de Todas as Palavras"Incluído na exposição colectiva "Histórias Públicas...Mundo Privados" Módulo, Centro Difusor de Arte, Lisboa. Num mundo assim podia eu viver. Ainda que fosse curta a duração da felicidade, limitada no tempo e reservada como na poesia que apenas aspira ao reconhecimento da alegria interior. Poucos partilham de tão elegante princípio que é este de ser servido pela liberdade. Num mundo assim podia eu viver. Num mundo melhor, foi o que quis dizer.Tenho dias em que me apetece subir de uma vez dez montanhas. É assim que hoje me sinto. E nesses dias, como hoje, pintar é irresistível. Mas nem sempre me sinto assim, dado que o subir implica o descer com a mesma capacidade. A viagem vertical faz-se nos dois sentidos e é interior. A par desta sensação, e de outra meia dúzia de coisas de que se esqueceu Kant, e que é sem dúvida uma outra forma de morrer, percorre-me na pele um formigueiro de coisas. Não haverá mais luz…
Considerando o melhor dos mundos possíveis, onde tudo vai pelo melhor.