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Mensagens

O acto solitário de ver uma exposição sem companhia (252)

"A Filha do Chinês Diante do Lago de Todas as Palavras"Incluído na exposição colectiva "Histórias Públicas...Mundo Privados" Módulo, Centro Difusor de Arte, Lisboa. Num mundo assim podia eu viver. Ainda que fosse curta a duração da felicidade, limitada no tempo e reservada como na poesia que apenas aspira ao reconhecimento da alegria interior. Poucos partilham de tão elegante princípio que é este de ser servido pela liberdade. Num mundo assim podia eu viver. Num mundo melhor, foi o que quis dizer.Tenho dias em que me apetece subir de uma vez dez montanhas. É assim que hoje me sinto. E nesses dias, como hoje, pintar é irresistível. Mas nem sempre me sinto assim, dado que o subir implica o descer com a mesma capacidade. A viagem vertical faz-se nos dois sentidos e é interior. A par desta sensação, e de outra meia dúzia de coisas de que se esqueceu Kant, e que é sem dúvida uma outra forma de morrer, percorre-me na pele um formigueiro de coisas. Não haverá mais luz…

Os jacintos vivem em pratinhos (251)

Estranhas coisas nascem em estranhos sítios. São vistas a movimentarem-se pela casa fora, a deshoras e quando menos se espera. Postado com o Blogsy

"O cão dos De Colleville." (250)

Jean Baptiste Henri Deshayes De Colleville - A half-naked woman reclining together with a dog.Postado com o Blogsy

"E o cão, minha senhora, vesti-mo-lo com quê?"(249)

Arthur Devis - a completly naked woman being dressed by her maid and the gaping dog. Postado com o Blogsy

Marmeladinha (248)

Carvalhus Carvalhus (Espécie latina de caralho, muito apreciada na antiguidade clássica, e noutros tempos mais pós-modernos). Apetece-me marmelada. Quero dizer, doce de fruta, compota de marmelos. Mas já não tenho, comeu-se quando foi tempo dela, e no super-mercado não compro. Estou azedo, é por isso.Acordei hoje para o lado da bicicleta, a pensar subir o lado nascente dos Pirinéus. E partia daqui feliz, acreditem,da saloiada, até onde as pernas me permitissem levar uma ideia. E fazia-o não fosse outra coisa que me prende. É uma prisão viver de sonhos neste país. Estes nossos sonhos, vivem-se, infelizmente, do lado de fora. O efeito mecânico de pedalar, associado a uma cadência constante, traz-me sempre novidades. Ideias arejadas multiplicam-se na paisagem ao selim. Somando-se ao que exactamente ainda não é, ao que está para ser, mas mais à frente. Voltaria se voltasse.Logo pela manhã o dia foi um jorro de luz que me entrou pela janela do quatro. Juntou-se aos espirros, aos pássaros, …

O olho da esquerda tem andado vermelho (247)

Ela um dia fartou-se de pôr à janela bandeiras ao vento e comeu uma perna ao Goya. Comeu-lhe uma perna que viu num retrato pintado, num livro que tinha imagens de violência e guerra. Um livro muito velho que falava de uma guerra que lhe tinham falado os velhos da sua aldeia. Um que tinha um livro de fotografias de pinturas era o que lhe falava do tal Goya. Ela comeu-lhe uma perna feita de papel.Postado com o Blogsy

A mãe dele foi ao leite e disse-lhe que voltava já (246)