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Mensagens

O homem do chapéu de feltro (241)

Chá verde (240)

A santa do skate ia lá casa pela Páscoa (239)

Quando chegava aquele fraterno tempo de nozes e azevias, a Santa dos Rolamentos pegava no seu skate e percorria meio país até chegar a casa das pessoas. E chegando, sentava-se logo à mesa e ouvia-os enquanto comia e bebia. Não lhe davam tréguas e queixavam-se dos males do corpo e de todas as dores que os tinham afligido o ano inteiro. Os sofrimentos saíam dos baús como as restantes relíquias da família e apareciam a brilhar nos distintos peitos das tias, nos pulsos dos tios, nos decotes das afilhadas e dos restante elementos comensais que se juntavam a comemorar a efeméride. Era um ai Jesus, sentados à mesa do fartote, com a Santa a comer e a beber. Copos de vinhos e fazendas caras de fazer fatinhos, doces feitos com a mesma mão que fazia a caridade de limpar os cus dos que o já não podiam limpar. E quanto à Santa, se não estava a comer ou a beber, estava, certamente, a dormir no sofá de veludo vermelho, ou a olear as rodas do skate, ou a ouvi-los com tudo aquilo que traziam na alma.…

I la nave va (238)

No Gato Vadio não cheguei a ler o "Le chien qui fume". Deveria tê-lo lido por ser uma coisa do Porto. Fica para a próxima.Obrigado aos amigos.Postado com o Blogsy

Fazer render o peixe (237)

Navio parte hoje para o Porto. Já deveria estar na estrada, em andamento, a rolar rumo ao Porto. Mas ainda aqui estou.Navio apresenta-se no Porto, no Gato Vadio, às 17h. Amigos.Vou ler o texto do meu amigo Luis Serra sobre o livro Navio.E la nave vaLuis Serra1.Se apresentar um livro é difícil, apresentar um livro de poesia é muito mais. Hannah Harendt, num ensaio incluído em Homens em Tempos Sombrios, escreve, com exactidão, “falar dos poetas é uma tarefa incómoda; os poetas são para os citarmos, e não para falarmos deles.”Imagino quase sempre o público destas sessões de apresentação, dizendo entre dentes em direcção ao orador: “diz qualquer coisa de original, diz qualquer coisa de original”, e penso no Nanni Moretti (num dos seus filmes) em frente à televisão: “diz qualquer coisa de esquerda, diz qualquer coisa de esquerda” D' Alema di' una cosa di sinistra. Mas, convenhamos, dizer qualquer coisa de esquerda, sobretudo hoje, é mais fácil do que dizer alguma coisa de original …

Cartas do vale às coisas que sei (236)

Queridas pedras. Fiquei outra vez por aqui. Não me mexi a manhã toda. Um centímetro sequer para matar a sede ou realizar outro assunto do desejo. Não, não é verdade. Andei pela casa e fui até à varanda de onde melhor se avista o vale. Mas as nuvens tomaram-lhe a garganta toda, fazem da paisagem um buraco cinzento e sem fundo. Afundam-se pela terra adentro, parecendo levar consigo as coisas do mundo nas correntes de ar onde circulam. Não se vê mais nada. Virão flores, estou certo disso. Postado com o Blogsy

Dining at Mekong's, London, UK (235)

Querida Tarantantan.Não sei se sobre o vale acontecerá a aberta que tanto desejo, para que se afastem as nuvens, para o ver florido. Anseio por essa espécie de Primavera, sabendo de antemão que logo virá o estio e a seguir o Outono. Ainda que quase tudo passará a um outro ciclo de vida que tão bem conhecemos, fazia-me falta esse estado de natureza mais ameno, ainda que verde. Mas o tempo apresenta-se alterado, com ligeiras diferenças, relativamente ao dia de ontem. Menos frio, apesar da humidade que se entranha no corpo. Passei parte da manhã a ver nuvens no céu. É rio aquilo que corre lá em cima em direcção ao vale de que te tenho falado que vejo à janela. Cheguei mesmo a pegar numa fita métrica e a medi-las à medida que passavam. Sabias que algumas medem mais de 60 cm, por 30 de largura? É um espanto a natureza que aqui se pode observar.Postado com o Blogsy