Querida prima. Acordei bem disposto apesar do acidente de ontem. Abri os olhos com o cantar dos pássaros que aqui são muitos e cantam-me à janela do quarto. Por vezes até entram pelo quarto, apesar de lhes ter dado ordens no sentido de o não fazerem. Gosto, como bem sabes, dormir até tarde. Mas, como deves calcular, não consigo fazer-me ouvir a todos os pássaros que há por aqui. Nem imaginas quantos são. Por isso, hoje, deixei que me acordassem para não lhes interromper o guizo. Saltei da cama e dei comigo pelo corredor verde até à casa de banho e em chinelos de quarto. Pus sem demoras a água quente a correr no lavatório. Fiz outras necessidades, enquanto a água corria. Barbei-me e imaginei que pintava um retrato meu. Fiz poses e carantonhas como se fosse um homem louco. Espalhei a espuma no rosto, na cabeça erma e vi-me neste preparos ao espelho. Fiz riscos na espuma branca. Mando-te uma fotografia que tirei da minha cara naquele estado
Amanhã hei-de ir até à cidade buscar outro par de meias de lã que faz muito frio e ando com dificuldade em manter os pés quentes.









