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Mensagens

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Tenho no corpo oito coisas de cada vez e um fio de cabelo que não me pertence. Certa vez deram-me uma orelha, ou terei pedido emprestada para usar três na cabeça, e não duas. Veio junto com um sorriso e selos de correio, postais e envelopes. Vou escrevendo. Dou novidades.Postado com o Blogsy

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Querida prima, depois da diarreia de ontem não me consigo mexer. Dói-me o cu todo e mal consigo andar. Tenho ingerido a conselho médico muitos líquidos, e feito autênticas purgas de jejum. Água e mais água e coisas grelhadas que me sabem mal. Alimento-me das vistas do sítio onde estou, destes vales, e das nuvens que parecem inofensivas baleias do céu. Tenho estado sentado sabes onde? Perto de um prado que começa a encher-se de flores. Hoje choveu e caminhei utilizando um caminho entre as ervas altas e agora estou sentado aí, nesse sítio que te digo. Estou a ouvir o cantar das cobras que tem a forma de um silêncio de vidro, muito delicado e facilmente quebrável. Escrevo-te amanhã novamente, pela hora do entardecer a dar novas do meu estado de saúde.
Postado com o Blogsy

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Aviso à navegação e ao público amigo em geral.Estão todos convidados. Vai ser uma festa. Prometo que vai. E quando digo todos, quero mesmo dizer todos. Todos, com uma pequena excepção. Uma coisa de circunstância, um detalhe que caracteriza a excepção e que não vou com ele agora perder tempo. Todos são todos, e pronto. Por isso digam de boca em boca, ou gritem alto, façam como queriam. Digam por aí que vai haver festa na Fonte de Letras. O artista/ poeta é da casa e apresenta-se na sua única primeira pessoa.Estão todos convidados, volto a dizer. É a festa oficial do lançamento do NAVIO à água. É verdade, o barquito parte no Domingo, dia 24 de Fevereiro. Espera-se que parte bem. NAVIO é uma edição &etc. A &etc é uma casa antiga recheada de artistas, poetas e escritores. Todos marinheiros de primeira qualidade. Talvez consiga arrancar o Vitor Tavares, editor de cânones e sinfonias literárias da Rua da Emenda. Talvez o consiga trazer, do conforto de Lisboa, até à Fonte do Alentejo…

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Ao 18º dia, desenvaginadas, surgiram dos destroços as duas pérolas da tripulação. Miss I, enfermeira espacial, e Paula Bushenkova, cosmonauta especialista em comunicações inter-planetárias. No momento da explosão que se seguiu ao embate, estavam em hiper-hibernação nas cápsulas de sono. Herméticos e perfeitos, os casulos protegeram-nas, escapando ilesas do choque, do incêndio de grandes proporções, da destruição generalizada. Quando apareceram na frente do Capitão Flint que se esforçava por manter a moral dos companheiros ao nível do aceitável, nasceu um momento de esperança. A súbita alegria do reencontro contaminou os corações de plástico dos imediatos e do sargento especialista. O olhar de Flint brilhou no negrume da situação. A esperança espalhou-se viral. Trocaram beijos, abraços e palavras de conforto espacial ainda que, no íntimo de cada um, pairasse o espectro da condenação.Paula Bushenkova entrou rapidamente no espírito que é necessário para construir uma equipa vencedora. Na…

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Navio largou hoje de Lisboa, dia 30 de Janeiro. O Vitor Silva Tavares enviou-me por correio azul, embalagem postal, os primeiros 10 exemplares saídos da Minerva. Parece que está muito bonito, disse-me pelo telefone. Está bonito por dentro e por fora. Quando se abre tem entre os desenhos poesia lá dentro. É uma caixa de música. Parece-me uma caixa de música.Quem quer um, quem quer? Postado com o Blogsy

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Ao fim do dia, sem esperança de encontrar uma pedra de sal, uma gota de água que fosse para além da imensidão de plástico, regressaram aos destroços da nave. O capitão Flint, que usava uma tampa vermelha na cabeça, na companhia dos seus dois imediatos, o tenente George Eucalipto e o mais-que-tenente Alves Brick, acercou-se do sargento especialista Joe Gold Caparica. O tenente Alves Brick estava exausto, tinha sede e já quase não se tinha de pé. Desde os tempos da academia que sofria de uma espécie de cegueira histérica que se manifestava nos momentos de aflição. Via apenas sombras e procurava desesperado a origem dos sons para se orientar. O pequeno robot de serviço estava completamente destruído, sem hipótese de concerto. No rosto inexpressivo do racional George, escrito a silêncio, era visível o anunciar da tragédia. Joe Gold Caparica perdera um braço durante a aterragem forçada, decepado numa porta automática de emergência. Esforçava-se por concertar o astro-rádio com a mão útil.…

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Depois daquela entrada descontrolada na atmosfera a nave embateu com estrondo na superfície deserta do planeta. Uma coluna de fumo assinalava o local. Estavam perdidos. O Capitão Flint não o escondia. Agora lutavam contra os elementos na planície de plástico que se estendia interminável e azul cinzenta. Para manter o equilíbrio mental necessário à sobrevivência, Flint assobiava. Partiram dos destroços tomando uma direcção incerta e fazia tempo que caminhavam sem esperança de encontrar socorro. O Capitão Flint que era um tipo alto que usava uma tampa vermelha na cabeça, disse a certa altura para os outros, dificilmente encontraremos o caminho de regresso. O mais baixo, o sargento especialista Joe Gold Caparica e o pequeno robot de seerviço que usava os braços em cruz, concordaram.Flint que procurava manter a cabeça fria, observava uma e outra vez o horizonte, e determinava o melhor percurso. Os companheiros de aventura seguiam-no em silêncio. Tinham aterrado na planície da morte.�����…