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Mensagens

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A filha dos embaixadores

Postado com o Blogsy

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Primeiro foi aquilo tudo. Palavra atrás de palavra. Rescrevi duma assentada um oceano de coisas. E li tudo, uma vez e outra vez, até que as palavras já se liam por si. Fiquei zonzo e ninguém deu conta disso, com cara de letra e cheio de sede aguentei-me numa dieta parca para não perder o tino com coisas desnecessárias. Matava a sede apenas aos Domingos, fazendo da secura um acto artístico. Depois, tratei de enroupar os pequenos contos e dar-lhes um nome de acordo com o seu corpo. E o ensaio foi difícil, quase Deleuziano. Pretendi ser o momento. Tudo é momento, ou tratável como um momento, como se não existisse mais nada, nem o depois, nem o antes. Vivi, assim, cada momento ainda que não saiba exactamente o quê. Aprendi que quando se presencia a acção já não estamos no bosque, mas sim na sua orla e é possível ver as montanhas e os caminhos. Obsessivamente, tratei de cada coisa no seu poiso e pretendi nesse outro momento transformar tudo numa imagem. A essência em ar respirável, pesei-…

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Eles abriram a porta que dava para o quintal. O ar tinha sido aromatizado pelo zimbro, pelo rosmaninho e outras flores do tempo. À porta já lá estava o tio mais velho a fumar. Usava um desportivo cachecol vermelho com insígnias e segurava um cão de caça pela trela. O cão obediente estava sentado. O campo recebeu-os a todos com um olhar invernoso. Cumprimentaram-se e puseram-se a caminho. Contornaram o monte de lenha que havia em frente à casa e subiram até ao topo de uma elevação entre as árvores despidas de folhagem. Em casa ficaram a Demetilia e as criadas. A Demetilia andava atarefada guardando desejos em frascos de vidro. Colava-lhes rótulos onde escrevia rigorosamente datas e outras referências. Rolhava-os com precisão e dava ordens para que os guardassem na despensa fria. Dizia, comem-se quando chegar o Verão. Bandos de pintassilgos voavam pela casa entre a cozinha e uma enorme sala que existia no piso térreo.Quando ao fim da tarde Demetilia se entretinha com preparos de iguaria…

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Há uns tipos que conduzem uns carros que são a cara deles. São desportivos tipo o carro deles, cheios de marcas e tiques nas mangas e que conduzem pelas veredas da vida com ar profissional de piloto de automóveis. Há uns tipos assim que eu não gramo e que conhecem os carros todos pelo nome.

O gato já não mora aqui não por causa dos carros dos outros. Tem muito pêlo. Tem farto de pêlo de fazer comichão. As mãos ficam vermelhas de fazer festas ao gato, nascem flores e bolores, crescem raminhos de erva de S. João, brotam bétulas e azeitonas vindas dos confins da pele das mãos, rebenta a alfavaca. O gato faz comichão ao pequeno marinheiro e foi, por isso, morar para o terraço. Não temos quem nos diga as horas.

Postado com o Blogsy

224

O capitão do Navio tem andado de bar em bar.Postado com o Blogsy

223

nada de novo... repete-se a história de todos os anos.Postado com o Blogsy

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O Vocabulário da Lua. Postado com o Blogsy