nada de novo... repete-se a história de todos os anos.
Eles estavam sentados os dois perto de um grande reservatório de água.
É um autêntico espelho - disse um deles.
O outro nada disse.
Caminharam pela beira do lago.
O lado de lá fica longe - disse um deles.
O outro continuou calado.
Eles continuaram durante um dia e uma noite sem parar.
Até que pararam e desistiram da ideia de alcançar o outro lado.
Havia uma árvore nesse sítio amigável.
Verteram mel nas mãos e separam-se.
Eles nunca mais se viram.
Afectado por uma coisa que se chama carvão, vou estar a Bach o dia todo. O padecimento assemelha-se a uma espécie de Melancolia Candida Bilis. Coisa benigna que dá quando o lápis pensa a tracinhos. É caminho que gosto de fazer, desaparecer no branco.
Ser uma perna. Ser um músculo dessa perna. Andar na perna. Ter a perna ao lado da outra. Andar com as duas pernas. Ser das pernas. Ter as pernas. Poder correr através das árvores do jardim. Ser um tipo de corrente de ar que corre sobre as pernas. Abrir os braços como a brisa entre as folhas das árvores. Ser um sorriso de vento verde. Folhear uma tarde de verão pelo murmurar da aragem a bater contra as coisas. Inquieto cair de corpo inteiro sobre a terra.À sombra da terra perder o olhar na imensidão dessa queda. Não levantar. Não ter pernas para mais andar. Sonhar, por ali sonhar.