Sou o Ferreiro de Urano. Farto-me de malhar.
Sei de um rei que comeu um chapéu de palha no seu palácio de Verão.
Sei de uma mulher que não recebe cartas de países distantes.
Sei de uma coisa que me faz rir quando quero.
Sei que podemos deixar de ver.
Sei uma coisa e outra.
Assim que me for possível abro longe daqui uma janela noutro lugar e planto em volta um jardim de ervilhas de cheiro.
Tive um império de dedos para dedilhar sedas, planaltos para correr, arrozais de mosquitos para zumbir, um ou dois cães que sentados me guardavam os sonhos à porta de um castelo de açúcar.
Desses dias guardei sempre um desenho com gatos às riscas.
Eu continuo à procura a ver se descubro o que é isto tudo que se vê. Tenho procurado na natureza das coisas, debaixo de suspeitas pedras onde posso, e no sono que se me dá depois de correr atrás do Mundo.
Hoje é por vezes o dia de ontem, dou conta inúmeras vezes.