Assim que me for possível abro longe daqui uma janela noutro lugar e planto em volta um jardim de ervilhas de cheiro.
Assim que me for possível abro longe daqui uma janela noutro lugar e planto em volta um jardim de ervilhas de cheiro.
Tive um império de dedos para dedilhar sedas, planaltos para correr, arrozais de mosquitos para zumbir, um ou dois cães que sentados me guardavam os sonhos à porta de um castelo de açúcar.
Desses dias guardei sempre um desenho com gatos às riscas.
Eu continuo à procura a ver se descubro o que é isto tudo que se vê. Tenho procurado na natureza das coisas, debaixo de suspeitas pedras onde posso, e no sono que se me dá depois de correr atrás do Mundo.
Hoje é por vezes o dia de ontem, dou conta inúmeras vezes.
De cabeça para baixo sou um pacote de sentidos em infusão. Um molhe onde bate uma espécie de mar feito de muitas mãos é a raiz do teu perfume. Do alto da árvore dos marmelos vê-se a parte de trás do mundo onde vivem coisas que desconheço. Um banco de nozes é uma barreira de coral. A cartilagem e o nervo fazem do jovem aprendiz um elegante jogador de dados. De camisa às riscas não passaria da imagem de um marinheiro ébrio à espera de ser rendido. Um caminho de pedras não deixa de ser um caminho, mas tem pedras.
Um molhe onde bate uma espécie de cabeça para baixo é um caminho de pedras. A cartilagem e o nervo são a raiz do teu perfume de camisa às riscas. Um elegante jogador de dados tem pedras onde vivem coisas que desconheço. Muitas mãos fazem um coral de marmelos. Ter pedras e sentidos fins.
Etc..
Quem se senta é quem não não tem caminhos urgentes para percorrer. Não sente fome, não sente sede. O espírito meditativo contemporiza a natureza em qualquer lugar. Nem a floresta, nem o espaço infinito existem sem a essência da memória.
O dia estendeu-se lento sobre a pele como um redondo lençol de frio. Com a aparência de um amarelo ferino, assumiu por momentos a forma de uma canção popular chinesa. Tratou-se, evidentemente, de um acidente da melancolia, transportada por um fio de vento que agitava um campo de arroz guardado por um dragão de fumo. Quando o arrozal canta com gravidade, as cegonhas alimentam as crias com esferas de luz. Os pássaros são sempre criações do ar que se vêem no plano de vidro que contempla a serenidadedo presente. Assisti como um incógnito passageiro em viagem a todas as coisas do mundo.
As descrições produzidas aconteceram sob a auspiciosa ondulação da paisagem.