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Mensagens

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(Um pé e parte de uma perna de biblioteca a fingir que são um auto-retrato)Quando os dias aumentarem de tamanho, aumentarão em grandeza os sonhos, os bolos que existem nos sonhos, a água da boca que se põe nos sonhos, e, só então, os sonhos serão coisas parecidas com torrões de Alicante mas mais doces e menos consistentes. Enquanto esses dias não chegam ao calor da pele, suporto as infidelidades da sorte como golpes imerecidos. 

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Hoje é dia de achar piada. Rir de não sei o quê. Coçar as costas. Correr contra o vento. Saltar. Hoje é esse dia incerto e sem limites. Dia do riso. Rir. Morrer a rir, sem retorno. De boca aberta. Morte certa da boca escacarada para fora. Palavras.Por vezes dói onde a dificuldade se junta a um canto. Ao sol que amadurece tudo perece aqui na terra. Sou favorável à diferença por natureza do espírito aberto. Ouço dizer coisas contrárias, ligo pouco. Sento-me a ver cair no chão o ar denso das comversas. Falta-me a química para me levantar. Uso a força noutra direcção.Agradam-me paralélipipedos. Uns, tios dos outros, fazem fila em frente ao pacote de leite gigante. Quando as portas se abrem desaguam todas as formas de explicar o branco. O mundo é branco retocado nos seus limites por um dourado aplicado por ourives.As melhorias são visíveis, não se verificam atrapalhações. Antevejo um final feliz.

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Bonjour, monsieur Gervásio.

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Uma nave inimiga atrerrou nos meus domínios. Não tive tempo para outra reacção e tirei uma fotografia. Hoje, sinto-me um verdadeiro geógrafo do universo.

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Nunca gostei do Professor Cavaco Silva. É um autoritário. E como todos os autoritários, tem um ilimitado fundo de desonestidade. Aturamo-lo há demasiado tempo para que o tenhamos que aturar uma vez mais, aos seus dislates, aos seus números televisivos de homem pobre e honrado que andou muitas vezes de comboio antes de mandar fechar as linhas férreas. Sr. Presidente, faça-nos a todos, e à sua família também, um enorme favor: abandone o cargo de PR, não está à altura da dignidade do povo português.

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Daqui saio todos os dias com o corpo às costas. Não penso em regressar, mas quando regresso, volto às costas do corpo. A pele, ao fim do dia, está, invariavelmente, durida. O espírito cresce da pele para dentro, tem as suas raízes na superfície da pele. Quando me abandono levo na pele o meu nome gravado no corpo. Sou como o estômago de um navio por encher. 

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Auto-retrato com nuvens ao fundo.