Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

158

Sentado como um gato de pé que confiava no seu apurado sentido de prever as coisas do mundo que ainda não tinham acontecido, eis a visão.

157

Lista de coisas importantes a levar em caso de partida urgente: seis tratados de lógicas esquecidas; as mãos da lama da morte da alma; uma música de fundo com capacidade para cobrir tudo de azul; um roupão de seda para os dias quentes; um crocodilo em lugar de um mastim de guarda; um obsodélito; quase todos os livros sobre feitos de cavalaria; uma cama pequena desmontável; um colchão semelhante; um copo para beber água durante a noite; dois pássaros canoros; fivelas de cinto; botões de osso; linhas e agulhas de coser; vidro moido em saquinhos; chá preto; canetas, tinteiros e papel para desenhar; se a partida for repentina, as cores ficam; um par de olhos novos; lenços de bolso; um bolo de chocolate; dois litros de stock de sarcasmo; uma mochila prática de sair ao mercado; um cesto para gatos; caixas com fósforos; borboletas; calças, cuecas e camisas lavadas; meias de malha inglesapara as botas de sempre; as botas e graxa; a máquina de costura da mãe de alguém; um moinho de vento em o…

156

Os pés frios enfiados nas orelhas. As mãos dentro da cabeça a mexer no calor da memória. Os olhos fechados para sentir o tempo, como uma pedra fria, a roçar a pele, a tanger os nervos. Sem janelas o mundo é uma espécie de lugar sem luz. (continua)Y

155

Hoje perdi as palavras todas. Ficaram-me algumas que não sei o querem dizer.

154

Eis um assim, em forma de bola de Berlim. Um gato de feltro a dormir. Um arame no sapato. Uma roda sem dentes e muitos pentes, e muitos pentes.


153

Eu tenho dias em que ando em volta dos pés. E depois paro para descansar.

152

As pessoas azuis sentam-se onde podem quando está muito calor. Abanam-se sem compromisso, fecham as janelas de casa por volta da hora do almoço, tiram os canários dos pregos das paredes e devolvem-nos à frescura do interior das cozinhas sem luz. Nos dias rosados do céu do estio as pessoas da minha cidade distraem-se tanto nos seus gestos sem importância que não dão conta do tempo passar. Sem aviso, passam por cima das suas cabeças nuvens, ventos que empurram nuvens, brisas que vêm do mar carregadas de sal, almas invisíveis, coisas terríveis sem definição enciclopédica, objectos de categorias que não me apetece descrever. A luz muda e mudam cores e as sombras cheias de cores, e mudam as tonalidades das folhas das árvores. Há dias sem sombras no chão. Como qualquer pessoa de outro lado qualquer, as pessoas das outras cidades também se dispersam nos seus próprios gestos que parecem ser aquisições oníricas ou reflexos da infância feliz. Os dias de calor produzem vapores que se transform…