As pessoas azuis sentam-se onde podem quando está muito calor. Abanam-se sem compromisso, fecham as janelas de casa por volta da hora do almoço, tiram os canários dos pregos das paredes e devolvem-nos à frescura do interior das cozinhas sem luz. Nos dias rosados do céu do estio as pessoas da minha cidade distraem-se tanto nos seus gestos sem importância que não dão conta do tempo passar. Sem aviso, passam por cima das suas cabeças nuvens, ventos que empurram nuvens, brisas que vêm do mar carregadas de sal, almas invisíveis, coisas terríveis sem definição enciclopédica, objectos de categorias que não me apetece descrever. A luz muda e mudam cores e as sombras cheias de cores, e mudam as tonalidades das folhas das árvores. Há dias sem sombras no chão. Como qualquer pessoa de outro lado qualquer, as pessoas das outras cidades também se dispersam nos seus próprios gestos que parecem ser aquisições oníricas ou reflexos da infância feliz. Os dias de calor produzem vapores que se transform…