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Mensagens

151

Chegámos à China de barco. Atravessámos um mar vasto para lá chegarmos mas, por fim, atingimos a costa da Imensa China. Agora, deleitamos-nos com as maravilhas do Oriente, com todos os detalhes da natureza desconhecida, os animais estranhos, o ar diferente do nosso ar, o céu mais azul que o nosso por estar próximo do paraíso, as árvores encolhidas em forma de poema e a música incompreensível. Ontem fomos ao cinema, hoje aprendemos a ler nas entranhas de um peixe que vivia num lago e que tinha a idade de um sábio que nos disseram ter vivido numa montanha perto do Sol; amanhã partiremos sem destino até encontrarmos o poço das delícias. E depois não sabemos mais nada.

150

Já hoje ali estive onde cantam estranhos pássaros sob um sol escaldante. Sim, estive ali por ser o dia incerto e cheio de novidades que não sei contar. Vou beber vinho até que assente o nevoeiro.

150 (anus novis)

Volto amanhã que é um ano novinho em folha.

149 e fatias de nada

Ali caem as coisas que caem podres da fonte de todas coisas simples.

148

Boletim emocionográfico do estado da alma do tempo: nem chuva, nem vento forte, apenas romances quiméricos e bolas de naftalinas, destas que se vendem nas pastelarias da rua onde moro e que têm o sinal do meu nariz. Espreitadelas furtivas no horizonte com previsão de entretelas de camisas velhas remetem para sinais de que alguma coisa estará para mudar. Obstáculos intransponíveis como nuvens vislumbram-se certos no ar. Ao longe tudo pode parecer pequeno e sem perigo, e assim, representando graça, somo levados a pensar que nada de mau acontecerá. Gomos de tangerina e pardais no céu azul do fim do dia anunciam alterações no clima do interior. E mais pardais vão chegando, dizem, daquele lado dali. Daqueles que anunciam outros estados que não a desgraça do espirito. Dias serenos avizinham-se pendurados em flores. Dias assim servem para olhar de frente os sonhos. Para olhar os sonhos um a um, e de frente, sem que seja preciso utilizar a saída de emergência situada mesmo ao lado da porta do…

147

146

Porque choras tu dessa forma tão alegre se não tens mais que carpir na alegria que investes na vida? Aquilo que se ouvia, no meio da tempestade, era a voz profunda de um furacão, que levava ao colo a mulher cabeça-conta-de-vidro. Mais nada se ouvia.
... e assim, de súbito, um copo de água, um nariz, um abraço e outra vez aquela coisa que não sei como se chama, cheia de roscas e torcidos a cair do tecto; parece ser feita de cabelo, mas não tenho a certeza. 
... e faz de conta que sei o que é, e chamo-a pelo nome que sei chamar-se quando não sei o nome que hei-de chamar a coisas assim; desígnio de bicho cantante, couraça, feltro ou dedo no ar em caso de dúvida.
Rebolo no  chão do quintal, por cima das folhas mortas, onde mijam cães e por onde passam todas as mulheres do lago, escondido da voz do furacão sob a sombra de uma grande árvore. Afadigo as palavras todas e furam-se os olhos, um após o outro.