domingo, 7 de agosto de 2011

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História de uma peça que não quer nascer

As vistas têm-se sucedido.  Entidades volantes têm pousado no estaleiro. O vai-vem entre o céu e este pedaço de terra faz-se de afigurações. Os operários descansam nestes instantes. O trabalho árduo continua. O fim está próximo, sente-se.

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Foda-se, bem podias ter trazido o recorte do Expresso, sempre te via a rir de ti mesmo. 
Tens vergonha desse dom, do de escrever aquelas coisas todas bestiais? Ou é só tanga para usar ao Domingo? O teu livro novo tem poemas a cheirar a cona que se fartam. Eu cá, muito da Abissínia da Fonseca, gosto muito.

Dele mesmo, do Luis Serra, 
Tudo Voltaire ao cabaré


Poética de manhã

escreverei ave ou jangada
ou uma infância a pedalar

escreverei teatro de marionetas
fenómenos e pancadas

escreverei amor num Volkswagen




sábado, 6 de agosto de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.

No fim do dia, esperando que as línguas se não lhes tivessem misturadas umas com as outras, sentaram o cansaço no chão do estaleiro. Os operários deixaram que alma se soltasse do fardo do trabalho. Um deles falou e todos compreenderam o que disse. Apesar de construída em altura, não trouxe a Babel má fortuna. Depois, no ar dos assobios, tocou a sereia. O apito fez com que todos recolhessem as mãos. Amanhã há mais poesia e pó branco de polir.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

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(Em montagem)

Bleuretália
(achados, infructuosidades e quadros pintados)


Para ver na Galeria Municipal de Montijo, Rua Almirante Cândido dos Reis, n.º12.
Abre a 14 de Agosto, às 19:00h, até 30 de Outubro de 2011.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.

A fotografia está tremida. Foi tirada  num instantâneo que não deu tempo para pensar outros resultados.  Uma nave espacial vinda de outros mundos saudou desfocada os operários no estaleiro. O tempo parou por alguns momentos de boca aberta ao espanto.

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História de uma peça que não quer nascer.


Os operários regressaram repletos de sal e histórias vélicas que sabem contar com Canoas da Picada e Botes de Fragata. Acenderam os fogaréu e olharam a obra ainda nua. Há que vestir o corpo das coisas procurando-lhes a forma. Assim têm feito.

terça-feira, 26 de julho de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.

Os operários tiraram o dia de folga, fizeram gazeta, sei lá. Bem-aventurados, enviaram-me uma imagem do sítio onde se encontram. Parece que foram a banhos para parte incerta junto ao mar. Deixaram no local da obra o tal guarda-livros que, para além de zelosa pessoa, gosta de figos, de melão e de especiarias aromáticas.

domingo, 24 de julho de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.

Os operários foram dormir. Ficou um tipo que é guarda-livros a tomar conta da obra.



sábado, 23 de julho de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.


As arestas vivas são difíceis de fazer em forma de rabo de peixe.