segunda-feira, 1 de agosto de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.


Os operários regressaram repletos de sal e histórias vélicas que sabem contar com Canoas da Picada e Botes de Fragata. Acenderam os fogaréu e olharam a obra ainda nua. Há que vestir o corpo das coisas procurando-lhes a forma. Assim têm feito.

terça-feira, 26 de julho de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.

Os operários tiraram o dia de folga, fizeram gazeta, sei lá. Bem-aventurados, enviaram-me uma imagem do sítio onde se encontram. Parece que foram a banhos para parte incerta junto ao mar. Deixaram no local da obra o tal guarda-livros que, para além de zelosa pessoa, gosta de figos, de melão e de especiarias aromáticas.

domingo, 24 de julho de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.

Os operários foram dormir. Ficou um tipo que é guarda-livros a tomar conta da obra.



sábado, 23 de julho de 2011

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História de uma peça que não quer nascer.


As arestas vivas são difíceis de fazer em forma de rabo de peixe.

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História de uma peça que não quer nascer.

Ao Sol Aurora em peças espera que os operários voltem do horário do almoço. 
Para o meio dia da tarde prevê-se sonhar em altura, polir as massas grosseiras nas arestas finas, moldando os desejados perfis. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

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O Cinecoiso e o Espaço do Tempo

apresentam,

NOT ONE LESS

Um filme de Zhang Yimou.
Uma menina é chamada a substituir um professor que se ausenta. 
Nenhum dos alunos deve fugir da escola.
É para ver dia 15 de Julho, às 21:30h, no Espaço do Tempo (Convento da Saudação).

domingo, 10 de julho de 2011

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Deu-me hoje para não ser. Bebi água das jarras de flores que existem em casa. Visitei-me nos espelhos pendurados nos longos corredores onde se deposita a secura do estio. Abri janelas e flutuei nas correntes de ar que inundaram o espaço. Ouvi uma cigarra na chaminé de tijolo a esfregar as costas com energia estival. Hoje fiquei sem ser durante muito tempo. Hoje não fui. Às vezes sou assim.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

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Lamento não ter outras palavras escritas. Mas tenho estado debaixo do sol e não consigo abrir os olhos com facilidade. De olhos fechados a luz intensa impede-me de ver. Fico na luz por mais um momento até que se me acabem os víveres.  Ainda tenho pão escuro, manteiga e seiva de ácer que bebo para matar a sede. Quando se acabar o pão, a manteiga, e o xarope hei-de voltar para dizer que o pão endurece a fome e a luz excessiva cega sem piedade.

domingo, 29 de maio de 2011

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À Prudência
( Atenta tanto às coisas dos gatos, como às horas do dia. Também ao fio condutor que une a luz ao negrume que passa despercebido à maioria de nós).

Escolhi entre os meus livros um. Vou ler-te uma coisa que lá vem escrita (entenda-se escrever-te). Uma coisa que me parece ser de gato, delicada e subtil. Encontrei o Bataille a palavrear contra um certo leão castrado que, sem qualquer ambição intelectual bacoca da minha parte, te remeto.

Parece que "O homem vive confinado ao seu círculo - estreito na sua própria dimensão e distraído do universo dos planetas e estrelas onde a Terra que o suporta risca um traço de uma impressentível velocidade. Reduz o céu nocturno a um espectáculo de luzes e a sua visão diurna hesita, sem enfrentar esse foco deslumbrante que o ilumina e ele não pensa como estrela mas força insuportável que o seu olhar evita e só desafia se não medir os riscos de uma cegueira que o conduzirá às trevas. (...)"

E continua dizendo na introdução do mesmo livro que "(...) Todas as ilações devem ser caucionadas com alguma Prudência.(...)"

In O ânus solar (e outros textos), George Bataille, Introdução e Apresentação de Aníbal Fernandes.