quarta-feira, 13 de julho de 2011

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O Cinecoiso e o Espaço do Tempo

apresentam,

NOT ONE LESS

Um filme de Zhang Yimou.
Uma menina é chamada a substituir um professor que se ausenta. 
Nenhum dos alunos deve fugir da escola.
É para ver dia 15 de Julho, às 21:30h, no Espaço do Tempo (Convento da Saudação).

domingo, 10 de julho de 2011

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Deu-me hoje para não ser. Bebi água das jarras de flores que existem em casa. Visitei-me nos espelhos pendurados nos longos corredores onde se deposita a secura do estio. Abri janelas e flutuei nas correntes de ar que inundaram o espaço. Ouvi uma cigarra na chaminé de tijolo a esfregar as costas com energia estival. Hoje fiquei sem ser durante muito tempo. Hoje não fui. Às vezes sou assim.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

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Lamento não ter outras palavras escritas. Mas tenho estado debaixo do sol e não consigo abrir os olhos com facilidade. De olhos fechados a luz intensa impede-me de ver. Fico na luz por mais um momento até que se me acabem os víveres.  Ainda tenho pão escuro, manteiga e seiva de ácer que bebo para matar a sede. Quando se acabar o pão, a manteiga, e o xarope hei-de voltar para dizer que o pão endurece a fome e a luz excessiva cega sem piedade.

domingo, 29 de maio de 2011

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À Prudência
( Atenta tanto às coisas dos gatos, como às horas do dia. Também ao fio condutor que une a luz ao negrume que passa despercebido à maioria de nós).

Escolhi entre os meus livros um. Vou ler-te uma coisa que lá vem escrita (entenda-se escrever-te). Uma coisa que me parece ser de gato, delicada e subtil. Encontrei o Bataille a palavrear contra um certo leão castrado que, sem qualquer ambição intelectual bacoca da minha parte, te remeto.

Parece que "O homem vive confinado ao seu círculo - estreito na sua própria dimensão e distraído do universo dos planetas e estrelas onde a Terra que o suporta risca um traço de uma impressentível velocidade. Reduz o céu nocturno a um espectáculo de luzes e a sua visão diurna hesita, sem enfrentar esse foco deslumbrante que o ilumina e ele não pensa como estrela mas força insuportável que o seu olhar evita e só desafia se não medir os riscos de uma cegueira que o conduzirá às trevas. (...)"

E continua dizendo na introdução do mesmo livro que "(...) Todas as ilações devem ser caucionadas com alguma Prudência.(...)"

In O ânus solar (e outros textos), George Bataille, Introdução e Apresentação de Aníbal Fernandes.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

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NA PELE DA FLOR DA PELE E OUTRAS HISTÓRIAS


(Amanhã na Galeria Municipal de Montemor-o-Novo, 18:30h)

Seguia na proa do barco, de pernas cruzadas, sentado no chão a ver rasgar o rio com o nariz distraído. Cheirava aquilo que o vento trazia no seu corpo de corrente de ar, e tinha na palma da mão um fio do mundo que apertava cerrando o punho tal qual se faz quando se espreme uma laranja. Era isso mesmo, como uma laranja. A travessia de barco era curta sem dar tempo a que os olhos se perdessem na paisagem igual quase do tamanho de uma coisa do tamanho de uma laranja. Não vivia ainda na companhia da minha mulher e dos nossos mais insondáveis sonhos quando conheci o marroquino. Não lhe poderia, por isso, ter contado que bonançosos esperávamos o nascimento do nosso primeiro filho, nem que haveríamos de morar longe deste sítio a tocar o mar. O trajecto sobre o rio fazia-se através desta gente humana que trepava aos cumes das coisas que existem na natureza, árvores, montanhas de lodos, lamas e casas sem pessoas lá dentro, canções tocadas em flautas de pau. De nada serve a paisagem quando não há dia, quando tudo em volta é como a noite sem luz. Acontecia ao mundo, por vezes, ficar sem sombra debaixo deste céu. Tomado de um tom pálido era da cor da terra seca, sabia a sal, sentia-se muito quente o ar quente.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

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É altura de voltar ao grande lago de marfim. Os canhões da tormenta já não se ouvem. Vou pela vereda abaixo, pelo caminho ferido, até encontrar uma pedra de sal com que hei-de temperar a carne viva. Digo-vos alguma coisa da experiência, quando lá chegar, não me vou esquecer disso, prometo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

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Os teus pés estão quase sempre frios à hora do chá, por isso tens um gato ao lume do colo quando te sentas.