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Mensagens

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À Prudência
( Atenta tanto às coisas dos gatos, como às horas do dia. Também ao fio condutor que une a luz ao negrume que passa despercebido à maioria de nós).

Escolhi entre os meus livros um. Vou ler-te uma coisa que lá vem escrita (entenda-se escrever-te). Uma coisa que me parece ser de gato, delicada e subtil. Encontrei o Bataille a palavrear contra um certo leão castrado que, sem qualquer ambição intelectual bacoca da minha parte, te remeto.

Parece que "O homem vive confinado ao seu círculo - estreito na sua própria dimensão e distraído do universo dos planetas e estrelas onde a Terra que o suporta risca um traço de uma impressentível velocidade. Reduz o céu nocturno a um espectáculo de luzes e a sua visão diurna hesita, sem enfrentar esse foco deslumbrante que o ilumina e ele não pensa como estrela mas força insuportável que o seu olhar evita e só desafia se não medir os riscos de uma cegueira que o conduzirá às trevas. (...)"

E continua dizendo na introdução do mesmo livr…

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NA PELE DA FLOR DA PELE E OUTRAS HISTÓRIAS

(Amanhã na Galeria Municipal de Montemor-o-Novo, 18:30h)

Seguia na proa do barco, de pernas cruzadas, sentado no chão a ver rasgar o rio com o nariz distraído. Cheirava aquilo que o vento trazia no seu corpo de corrente de ar, e tinha na palma da mão um fio do mundo que apertava cerrando o punho tal qual se faz quando se espreme uma laranja. Era isso mesmo, como uma laranja. A travessia de barco era curta sem dar tempo a que os olhos se perdessem na paisagem igual quase do tamanho de uma coisa do tamanho de uma laranja. Não vivia ainda na companhia da minha mulher e dos nossos mais insondáveis sonhos quando conheci o marroquino. Não lhe poderia, por isso, ter contado que bonançosos esperávamos o nascimento do nosso primeiro filho, nem que haveríamos de morar longe deste sítio a tocar o mar. O trajecto sobre o rio fazia-se através desta gente humana que trepava aos cumes das coisas que existem na natureza, árvores, montanhas de lodos, lamas e ca…

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É altura de voltar ao grande lago de marfim. Os canhões da tormenta já não se ouvem. Vou pela vereda abaixo, pelo caminho ferido, até encontrar uma pedra de sal com que hei-de temperar a carne viva. Digo-vos alguma coisa da experiência, quando lá chegar, não me vou esquecer disso, prometo.

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É para ver em Montemor-o-Novo, na galeria Municipal, a partir de 7 de Maio.

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CONTRA O CAVACO, CLARO!
A direita em Portugal é um produto da democracia nacional que se pode adquirir num supermercado perto de si, através de revistas de culto de sociedade, ou outros bens como o ar que se traz e o andar que se faz pelos corredores dos detergentes. A direita, ainda que exista, é uma coisa dificilmente classificável perante a ausência de uma estrutura filosófica e ideológica que produza no tecido social o reconhecimento de uma conduta politica característica. Pode traduzir-se, lato senso, por um conjunto de comportamentos que vão do politicamente correcto, ao beato extremista. E os pobres? Pergunta-se? Aos pobres dá a direita esmoler, esmola. E de resto, que se fodam os pobres. Por exemplo, a direita é constituída por grupos sociais oriundos da cintura agrária de Beja, e de Évora, e do remanescente salazarismo católico predominante em certas zonas rurais do país, como são os mais recentes casos dos integristas católicos. Estes grupos, na maioria dos casos, são por sua…