quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

107a



Vous voyez?
Comme
je l'ai déjà dit, est entièrement fonctionnel malgré son âge. Et nous pouvons pisser heures de plaisir absolu.

106a


VENDE-SE

Uma preciosidade de outros tempos de valor incalculável. Penico no mais fino esmalte nacional, fundido segundo modelo à escala em forma de Palácio das Leoneiras, dito de Belém. Uma peça única, capaz de rivalizar em arte e bom gosto, em qualquer colecção particular. Apesar dos anos que tem apresenta-se perfeitamente funcional e com capacidade para satisfazer muitos litros de absoluto prazer matinal.

Advertência: o uso prolongado do Cavaco pode causar danos irreversíveis na sua saúde.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

105a



O taparuére é um homem do povo, e por isso, e só por isso, se sente desobrigado de qualquer tipo de exame público.


O Cavaco prejudica gravemente a saúde da democracia!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

104a, em Braga foi de estalo


Retrato da entrada triunfal do candidato Cavaco Silva, e da sua Sra. D.ª Maria Cavaco y Silva (pensionista auferindo qualquer coisa como 800,00€/ mês), em Braga, aplaudidos pelo povaréu em manifestação de espontânea alegria.
(Escola portuguesa, Séc. XXI - Museo Nacional de los Coches, Europa)

domingo, 16 de janeiro de 2011

103a


Ex-Voto

Milagre que fez N. Sra. do Pagode quando um cão danado conhecido pelo nome de "O Povo" atacou e tentou ferir o Sr. Cavaco Silva e a sua senhora, D.ª Maria Cavaco y Silva. O cão que se havia soltado dos grilhões que o seguravam, saltou o portão da casa dos seus donos, e tomando
por vulgares ladrões o simpático casal e a comitiva que os acompanhavam pelo país em campanha eleitoral, logo rosnou e ladrou, atacando-os sem piedade. Valeu-lhes N. Sra. do Pagode, que serena interveio junto dos acossados, salvando-os do grande azar de ferimentos provocados pelo animal irado, evitando o pior dos cenários. Ainda assim, a divina intervenção não foi capaz de evitar que a Sra. D.ª Maria se virasse de pantanas, enquanto que o seu marido se punha aos pinotes gritando por albuminado socorro.

102a A reforma da minha Maria

O CAVACO E A SUA SENHORA SAUDANDO A MULTIDÃO EXULTANTE, LOGO APÓS O CANDIDATO TER CONTADO AO POVO E ÀS CRIANÇAS O MONTANTE DA MÍSERA REFORMA DE D.ª MARIA CAVACO Y SILVA.

sábado, 15 de janeiro de 2011

100a Cavacowares


CONCURSO

Envie-me a sua melhor frase sujeita ao tema:
"Porque razão é quase impossível distinguir
o candidato Cavaco Silva dos Tupperwares?"

Prémios de sonho em calçado ortopédico

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

97


No calor da quadra, ofereço-vos o meu preferido conto de Natal. É do Kafka.
O Abutre
Era um abutre que não parava de me dar bicadas nos pés. Já me tinha rasgado as botas e as meias e começava agora a atacar-me os próprios pés. Investia sem parar, levantava voo, esvoaçava inquieto à minha volta, em círculos, e retomava o seu trabalho. Apareceu então um senhor que ficou a observar aquilo durante algum tempo, até que me perguntou porque é que eu suportava as investidas do abutre:"Ele apareceu e quando começou com as bicadas é claro que o quis enxotar. Na verdade até tentei estrangulá-lo, mas um bicho destes tem imensa força. E depois também já tentou saltar-me para a cara, por isso preferi sacrificar os pés, que agora já estão quase despedaçados." "Como pode permitir que o torturem dessa maneira", insistiu o senhor, "um tiro e acabou-se o abutre." "Acha que sim?", perguntei. "E então não pode tratar disso?" "Com todo o gosto", disse o senhor."Só tenho que ir a casa buscar a espingarda. Consegue esperar mais meia hora?" "Isso é que eu já não sei", respondi, e mantive-me assim, paralisado pela dor, durante algum tempo, até que disse: "Por favor, tente lá, seja como for." "Está bem", disse o senhor, "vou apressar-me". Durante a conversa o abutre tinha ficado sossegado, à escuta, olhando ora para mim, ora para o senhor. Pude então ver que percebera tudo, pois levantou voo, dobrou-se para trás tanto quanto podia, para ganhar balanço, e, como um lançador de dardo, espetou com toda a força o bico dentro da minha boca. Em queda, pude ainda sentir, liberto, como ele se afogava, sem hipótese de salvação, no oceano transbordante e sem fundo do meu sangue.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

96


Na sua generosa herança deixou-me o meu pai os seus genes. Uma mesa e um par de cadeiras robustas. Um casaco que pode atravessar o inverno sem me comprometer de frio. Deixou-me um especial sentido para olhar as coisas, escolher pares de botas e de lhes dar sebo para não molhar os pés quando chove. Legou-me uma particular maneira de ver a vida com persistência. Pude assim correr atrás do mundo e encontrar outros lugares por me ter dado uma espécie de inquietação que até há bem pouco tempo não sabia como usar. Mas agora sei. Clarifico-a em caldos de paciência e solidão. Sirvo-a quente aos amigos e digo piadas ordinárias que os fazem rir. Deixou-me o meu pai depois de morrer algumas coisas especiais. Ensinou-me a ensinar a fazer coisas poupando as palavras enquanto se conservam malaguetas em frascos de azeites. Nunca me deu conselhos, e por isso sempre fiz o que quis. Eis minha herança.

95


Há coisas do existir que sabem a nada. Outras que explodem em partículas e que nunca mais se podem voltar a ver como eram. Há ganchos por aí, e pentes para cabelos ermos. Bigornas, gruas gigantescas, e armazéns de ferro velho. Para variados fins e usos indeterminados, máquinas de todas as cores. Há coisas do existir em todo o lado. Livros descrevem-nas, uns melhor que outros. Bibliotecas inteiras repletas de coisas que sabemos existir. Delas, muitas, reconhecemos o nosso interesse na forma que têm. Nada interessa tanto como tudo o que há, e mesmo aquilo que não existe, tem reconhecido mérito. Serão as formas de existir o elemento único da visibilidade?

Perguntaram-me a que horas passava o autocarro. Respondi que não os há por aqui. Anda-se a pé.