Oitenta e quatro é um número sereno. A filha mais velha saiu cedo de casa ao romper da aurora e levou pela mão o irmão mais novo. A casa ficará como sempre esteve e nenhum mal lhe virá. Os que ficarem continuarão a sentar-se em frente ao pessegueiro para o ver rebentar em flores. Talvez a sorte venha a proferir benefícios da cor da flor do pessegueiro. O dia será longo, como um longo dia de Verão.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
84
Oitenta e quatro é um número sereno. A filha mais velha saiu cedo de casa ao romper da aurora e levou pela mão o irmão mais novo. A casa ficará como sempre esteve e nenhum mal lhe virá. Os que ficarem continuarão a sentar-se em frente ao pessegueiro para o ver rebentar em flores. Talvez a sorte venha a proferir benefícios da cor da flor do pessegueiro. O dia será longo, como um longo dia de Verão.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Oitenta e três vezes
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
82

Posso, então, transformar-me numa estrela ou coisa assim parecida, perguntou esvoaçante a libélula ao rinoceronte? Numa estrela não sei, respondeu o grande animal, mas no meu almoço sim. E sem que a libélula tivesse tido tempo para pensar, o rinoceronte abriu a boca, aspirou forte para dentro de si o pequeno insecto e devorou-a crocante.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
81
Quantas vezes serei capaz de dizer o mesmo quadro de cor?
A imagem é um facto artístico. Enquanto lugar de visibilidade considero-a mesmo o elemento reflexivo do mundo.
Um princípio é uma preposição de onde deriva o conhecimento para outras preposições que enumeram factos a partir dos quais se consideram outros factos. O princípio que detém esta extensa série de pintura, expressa-se na ideia de um processo de evolução ontológica.
Neste conjunto de pinturas integro os valores do património das sociedades, assimilados na permanência do acto de fazer que os abstractiza e caricaturiza. As figuras pintadas apresentam sempre um determinado grau de pureza e de autenticidade e servem a representação pictórica e, consequentemente, a imaginação.
Apresento uma espécie de viagem que denuncia os modos, as experiências, as convicções, as convenções e os dogmas das chamadas belas-artes, é certo; mas a evidência das representações dos meus objectos (identificáveis monstros e outras quiméricas efabulações), no seu significado simbólico são a medida da reprodução da memória e dos sentidos. Denunciam nas formas, na ilusão, na ironia e na inquietude, reverberações visuais e substâncias sem nome.
A confluência aqui produzida constitui um momento decididamente pessoal de expressão artística, que amplia a realidade visível, a capacidade de simulação e de encarnação, traduzidas num certo figurativismo que pertence por inteiro à pintura.
Vou estar no Módulo, Centro Difusor de Arte, em Lisboa, na Calçada dos Mestres, n.º 34 A, a partir de dia 11 de Setembro de 2010.
Estão convidados a ir ver.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
80
(De momento sem hipótese de incluir uma imagem)
A ilha acaba onde a estrada termina. Um curto abismo que deixa o coração a bater mais forte traz a brisa marítima à ponta do olfacto perdido. Nos lábios, na boca toda, sente-se-lhe o sal. A terra naquele ponto dá lugar ao mar tocado pelo vento ameno. Mesmo em frente ergue-se um gigantesco rochedo irmão da ilha. Uma coisa tamanha que os olhos não conseguem abarcar na totalidade, e, ainda assim, pequena que ninguém lá habita para além das aves. Pedaços mais pequenos, rochas menores, aparecem à superfície criando em conjunto com as ondas um outro ritmo, como um homem que coxeia enquanto anda, quase dançante. E o ar é quente, e o ar é doce, e ar debaixo deste céu coberto de nuvens é feito de uma delicada filigrana que faz parte do nosso suspirar. Sopra um arejo de norte para sul que faz abanar as abas do meu chapéu, uma coisa sem importância que mereça outro reparo.
Ao fim de alguns dias na ilha estou tocado pela graça da sua natureza que me provocou uma insana distracção dos males do mundo. Reparei, por exemplo, nas pessoas com quem me cruzei, almas com quem já me tinha encontrado no café, no ponto de compra dos jornais com actualizações do dia de ontem, na entrada do hotel, na hora do pequeno-almoço pela manhã. Ficámos estreitos ao ponto de nos saudarmos em bons dias. Mas ninguém arriscou a perder a sua solidão singular. Numa ilha estamos entregues à nossa pele. Saudamos perdidos ao ver passar o nosso corpo de ilhéu emprestado nos passos dos outros.
Este espaço serve para respirar e para tomar o sabor do mar. Estamos impregnados pelo mar. Passo o tempo que não estou entregue à caneta dos desenhos de mel a entrar pelo azul. Trago de lá um secreto sorriso de felicidade no rosto. Nada mais.
A água é transparente. O mar desaparece escuro na linha do horizonte. Vê-se o fundo e as nossas pernas tortas a caírem para o fundo arenoso. Quase não há pedras deste lado da ilha, apenas uma areia de cor amarela que aqui foi deixada para delícia dos que a pisam.
Ao fim de alguns dias na ilha estou tocado pela graça da sua natureza que me provocou uma insana distracção dos males do mundo. Reparei, por exemplo, nas pessoas com quem me cruzei, almas com quem já me tinha encontrado no café, no ponto de compra dos jornais com actualizações do dia de ontem, na entrada do hotel, na hora do pequeno-almoço pela manhã. Ficámos estreitos ao ponto de nos saudarmos em bons dias. Mas ninguém arriscou a perder a sua solidão singular. Numa ilha estamos entregues à nossa pele. Saudamos perdidos ao ver passar o nosso corpo de ilhéu emprestado nos passos dos outros.
Este espaço serve para respirar e para tomar o sabor do mar. Estamos impregnados pelo mar. Passo o tempo que não estou entregue à caneta dos desenhos de mel a entrar pelo azul. Trago de lá um secreto sorriso de felicidade no rosto. Nada mais.
A água é transparente. O mar desaparece escuro na linha do horizonte. Vê-se o fundo e as nossas pernas tortas a caírem para o fundo arenoso. Quase não há pedras deste lado da ilha, apenas uma areia de cor amarela que aqui foi deixada para delícia dos que a pisam.
Vou um dia aqui voltar, tenho a certeza que voltarei a viajar para sul para me servir deste mar outra e outra vez.
domingo, 11 de julho de 2010
79
História física de um quadro
dia 3
segunda-feira, 5 de julho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
77
sexta-feira, 18 de junho de 2010
76
Que odor tens tu hoje que mal te cheirei o dia todo? Será essa essência a do alguidar verde de plástico que ressequiu à secura do ar uma consequência do estado do meu nariz? Sensível! Olha, trouxe os berlindes todos, queres um? Ou preferes um arroto de miolo de pão? Foi tudo o que encontrei no meus bolsos, berlindes e pão de ontem.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
75


Eu pedi a todos para que se sentassem no pátio a olhar para a objectiva de uma câmara fotográfica. E ao meu pedido apareceram quase todos a disfarçar o embaraço destas coisas onde se junta muita gente mas com um pingo de sentido de festa, que aquilo que eu vi por lá foram sorrisos e mais conversa a ver o que iria acontecer. E como sempre acontece no momento do retrato que antecede a boda, aqui, a coisa, também levou o seu tempo, e precisou de um arranjo na composição da cena e tudo. E foi assim que ficámos, mesmo em frente ao velho bloco de aulas, debaixo daquele céu cuja luz não ajudou, mas que nos poupou ao calor dos dias anteriores. Ficaram os que lá estiveram, elas e eles, quase todos a fazer um pequeno mar de gente a boiar sentados no pátio da escola mesmo à mão de semear da minha lente, a olhar o passarinho verde que eu tinha pousado no ombro. Adeus ó velha escola. Venha a nova, venha a nova.
A todos o meu abraço, e um muito obrigado sentido por terem aderido à iniciativa dos alunos do CEF-OF, da Escola Secundária de Montemor-o-novo.
A todos o meu abraço, e um muito obrigado sentido por terem aderido à iniciativa dos alunos do CEF-OF, da Escola Secundária de Montemor-o-novo.
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