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Mensagens

Oitenta e três vezes

O barco que ele tinha seguia-o para todo o lado como um cão segue o dono. Chegava mesmo a sentar-se consigo à mesa, a dormir aos pés da sua cama e a suspirar pelos mesmos agravos da vida. Por vezes, em sonhos, quando dormiam, partilhavam a mesma expressão de maresia de quem gosta das coisas do mar.

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Posso, então, transformar-me numa estrela ou coisa assim parecida, perguntou esvoaçante a libélula ao rinoceronte? Numa estrela não sei, respondeu o grande animal, mas no meu almoço sim. E sem que a libélula tivesse tido tempo para pensar, o rinoceronte abriu a boca, aspirou forte para dentro de si o pequeno insecto e devorou-a crocante.

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Princípio e substância. Quantas vezes serei capaz de dizer o mesmo quadro de cor? A imagem é um facto artístico. Enquanto lugar de visibilidade considero-a mesmo o elemento reflexivo do mundo. Um princípio é uma preposição de onde deriva o conhecimento para outras preposições que enumeram factos a partir dos quais se consideram outros factos. O princípio que detém esta extensa série de pintura, expressa-se na ideia de um processo de evolução ontológica. Neste conjunto de pinturas integro os valores do património das sociedades, assimilados na permanência do acto de fazer que os abstractiza e caricaturiza. As figuras pintadas apresentam sempre um determinado grau de pureza e de autenticidade e servem a representação pictórica e, consequentemente, a imaginação. Apresento uma espécie de viagem que denuncia os modos, as experiências, as convicções, as convenções e os dogmas das chamadas belas-artes, é certo; mas a evidência das representações dos meus objectos (identificáveis monstros e outra…

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(De momento sem hipótese de incluir uma imagem)
A ilha acaba onde a estrada termina. Um curto abismo que deixa o coração a bater mais forte traz a brisa marítima à ponta do olfacto perdido. Nos lábios, na boca toda, sente-se-lhe o sal. A terra naquele ponto dá lugar ao mar tocado pelo vento ameno. Mesmo em frente ergue-se um gigantesco rochedo irmão da ilha. Uma coisa tamanha que os olhos não conseguem abarcar na totalidade, e, ainda assim, pequena que ninguém lá habita para além das aves. Pedaços mais pequenos, rochas menores, aparecem à superfície criando em conjunto com as ondas um outro ritmo, como um homem que coxeia enquanto anda, quase dançante. E o ar é quente, e o ar é doce, e ar debaixo deste céu coberto de nuvens é feito de uma delicada filigrana que faz parte do nosso suspirar. Sopra um arejo de norte para sul que faz abanar as abas do meu chapéu, uma coisa sem importância que mereça outro reparo.
Ao fim de alguns dias na ilha estou tocado pela graça da sua natureza que me …

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História física de um quadro dia 3
Foi então que começaram a aparecer os outros, logo depois de teres aparecido ao portão do jardim. Eu vi-os com que olhos te olhavam. Com a tua nova plumagem parecias uma espécie de rei nascido num pais exótico.

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História física de um quadro
dia 2


Devagar com essas botas soldado. Vê onde as poisas que este caminho é feito de pés descalços. Vê lá bem, anda com cuidado com essas botas que se usam nos caminhos que têm pedras e urtigas.

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História física de um quadro.
Dia 1.

É ainda um corpo sem palavras este corpo sem palavras. Aparenta ter uma mão atrás do corpo que ostenta bandeiras e mais nada.