Eu falo muito, lamento. Não posso ficar sem palavras para dizer.
Ficar sem palavras para dizer é muito, lamento. Eu isso não posso.
Ficar sem palavras para dizer é muito, lamento. Eu isso não posso.
E foi por esta razão que me dediquei ao vício de construir casas. E fi-lo, desunhando-me, para todas as pessoas que na ilha conheci. As casas construídas apresentavam-se empilhadas sem grande precisão umas por cima das outras, avolumando-se o gigantesco objecto na falta de um sentido estético puro para além do que a visão poderia, na verdade, abarcar. Paredes, telhados e janelas, muitas cores pintavam todas as sombras e jogos de luz. O olhar perdia-se.
A minha construção cresceu até muito alto, atingindo uma descomunal dimensão. Penso que seriam precisos três dias de viagem e muito alimento para atingir o seu topo caminhando entre escadas que levavam a lado nenhum e passagens estreitas. Mas disso não estou certo, dado que nunca ousei lá chegar. Limitei-me, nesse tempo, a observar de baixo e a imaginar como seria a ilha vista de lá de cima. Eu era ainda um pequeno homem e por isso não necessitava de dormir.
Um dia parei diante da obra com as mãos postas na cintura, como faziam todos os grande artistas do meu tempo, como se fosse, eu mesmo, o grande arquitecto do universo e descansei por uns momentos contemplando. Fechei os olhos, acho que foi isso. Fiquei assim naquele estado com o corpo dormente, com os olhos fechados e a experimentar todas as coisas do mundo. Devo ter dormido um longo período de tempo após aquele gesto de cansativa observação. Posso mesmo ter tomado notas para alterar uma coisa aqui e outra ali, antes de adormecer profundamente. Mas não me lembro de mais nada. Um fio de luz branca é do que me lembro bem.
É vento isso que assim assobia aí em baixo? Ninguém respondia. Eu estava muito longe.
A minha construção cresceu até muito alto, atingindo uma descomunal dimensão. Penso que seriam precisos três dias de viagem e muito alimento para atingir o seu topo caminhando entre escadas que levavam a lado nenhum e passagens estreitas. Mas disso não estou certo, dado que nunca ousei lá chegar. Limitei-me, nesse tempo, a observar de baixo e a imaginar como seria a ilha vista de lá de cima. Eu era ainda um pequeno homem e por isso não necessitava de dormir.
Um dia parei diante da obra com as mãos postas na cintura, como faziam todos os grande artistas do meu tempo, como se fosse, eu mesmo, o grande arquitecto do universo e descansei por uns momentos contemplando. Fechei os olhos, acho que foi isso. Fiquei assim naquele estado com o corpo dormente, com os olhos fechados e a experimentar todas as coisas do mundo. Devo ter dormido um longo período de tempo após aquele gesto de cansativa observação. Posso mesmo ter tomado notas para alterar uma coisa aqui e outra ali, antes de adormecer profundamente. Mas não me lembro de mais nada. Um fio de luz branca é do que me lembro bem.
É vento isso que assim assobia aí em baixo? Ninguém respondia. Eu estava muito longe.









