Devido ao inverno o mundo fica por vezes sem sombra. Macilento, decorre por imposição da física e de todas as regras com que a ciência se dedica a demonstrar aquilo que prova como certo. Tudo fica mais cinzento nos dias de chuva, eu sei disso. (Encolho as pernas contra o peito e deixo-me ficar para ali mais um instante sentado enquanto me invade o silêncio que tem a forma de uma pêra, de uma mulher vista de costas como uma amêndoa. De um olho fechado como um olho fechado. De um sexo feminino como um fruto cheio de botões de punho. Como um raio de luz ou, o infinito perfeito. Tudo o mais que me assalta é o silêncio estreito da manhã que presencio. É como comer romãs com a boca vermelha). Lembro-me de um rio que era um espelho de água e de não lhe poder nadar. De um rio muito plano onde navegavam coisas. Destroços de armadas de esferovite, frigoríficos mutilados, ratos gigantes e foguetes soviéticos. É disto que me lembro. E também dos monstros de lama que saíam da água durante a noit…
Considerando o melhor dos mundos possíveis, onde tudo vai pelo melhor.