Apenas pelo Natal se davam tréguas às dores. Saíam dos baús como as jóias e as relíquias da família e apareciam a brilhar nos distintos peitos das tias e dos tios e das afilhadas e dos restante elementos comensais que naquela altura se juntavam a comemorar a efeméride. Estas coisas que trazíamos ao peito como distintivo de família usava-mo-las a nosso bel-prazer, assim como outras mazelas mais do domínio geral, os padecimentos, os ais variados e assimétricos, as nossas pequenas enfermidades e o resto que são as cores com os que os outros se pintavam. Tudo cabia à nossa mesa dado que não sabíamos ao tempo distinguir, tal como ainda hoje o não sabemos, o riso do choro. Chorávamos a rir. Ríamos pelos outros quando também chorávamos. Para nós era tudo a mesma coisa, o riso e o choro. Habe nun ach! Philosophie... É o grito inicial do monólogo do velho Doutor Fausto na tragédia de Goethe que aqui deixo ficar. Éramos, sem o sabermos, seus filhos dilectos. Recapitulando as áreas do saber e a …
Considerando o melhor dos mundos possíveis, onde tudo vai pelo melhor.