
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
Oito e meio (Eight and half)

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
Oito (Eight)
("O Jardim dos Loucos" - Coisa pintada em 1994 e remontada hoje com um desenho de 2008)One (in hungarian)
(Thank you!)
Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
Sete (Seven)
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Seis (Six)
Devido ao inverno o mundo fica por vezes sem sombra. Macilento, decorre por imposição da física e de todas as regras com que a ciência se dedica a demonstrar aquilo que prova como certo. Tudo fica mais cinzento nos dias de chuva, eu sei disso. (Encolho as pernas contra o peito e deixo-me ficar para ali mais um instante sentado enquanto me invade o silêncio que tem a forma de uma pêra, de uma mulher vista de costas como uma amêndoa. De um olho fechado como um olho fechado. De um sexo feminino como um fruto cheio de botões de punho. Como um raio de luz ou, o infinito perfeito. Tudo o mais que me assalta é o silêncio estreito da manhã que presencio. É como comer romãs com a boca vermelha). Lembro-me de um rio que era um espelho de água e de não lhe poder nadar. De um rio muito plano onde navegavam coisas. Destroços de armadas de esferovite, frigoríficos mutilados, ratos gigantes e foguetes soviéticos. É disto que me lembro. E também dos monstros de lama que saíam da água durante a noite para atacar sem piedade os amantes que se deliciavam de beijos salgados nas margens da preia-mar. Era como um mar muito aberto do sítio de onde o via. Gostava de o ver daqui, do alto deste sítio onde brilha a água da chuva como que após uma demão de verniz. Novamente, o céu cendrado. Como não existe mar em volta, do alto desta casa de província onde vivo, deixo-me ficar a olhar o azul longínquo do sul. Bebi, de um assentada, todo o café até ao fim e recomeçou a chover. Antevi enjoado pelo travo da manhã o dia breve. Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
Cinco (Five)
Sei cá bem ao que venho. Sei muito bem. Levo a cabeça num pensar de sonho enquanto rodopio o meu pé na terra seca que o Verão deu em queimar. É como se fosse um limite sobre outro limite. Sei cá bem ao que venho, por isso vou traçar uma circunferência em forma de sola de poesia e fazer circular a minha ideia na coisa que estou a desenhar na terra. É tudo por causa dos preconceitos. Faço, assim, um círculo no pó da terra. Está quase, agora é só juntar a extremidade do risco que o calcanhar linear traz atrás de si ao outro risco que descansa. E quando tudo se finar na sua forma espero ver o vento a soprar sobre cama da terra o pó aos olhos, do chão ao ar, um círculo de pó no ar. Posso pelo menos acrescentar que algumas coisas deste tempo merecem outra leitura, menos enfadonha e um pouco mais ridícula. A ser arte é aquilo que é, senão é nada. Bom, vou para sul a enganar as botas de borracha que andam pelo seu pé porque este ano foi diferente em tudo. Vou para Sul mais um nada de tempo a ver o que existe desse lado de lá. Mando postais de quando em quando, pela hora da fresca. Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Quatro (Four)
Sonetti Lussuriosi di Pietro Aretino
E se il cazzo adori, io la potta amo,
E saria il mondo un cazzo senza questo.
E se post mortem fotter fosse onesto,
Direi: Tanto fottiam, che ci moiamo,
E di là fotterem Eva e Adamo,
Che trovorno il morir sì disonesto.
Veramente egl'è ver, che se i furfanti
Non mangiavan quel frutto traditore,
Io so che si sfoiavano gli amanti.
Ma lasciam'ir le ciance, e sino al core
Ficcami il cazzo, e fà che mi si schianti
L'anima, ch'in sul cazzo or nasce or muore;
E se possibil fore,
Non mi tener della potta anche i coglioni,
D'ogni piacer fortuni testimoni
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Três (Three)

Dois (Two)

Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
Um (One)
On the second day, sickened as I was, I threw up unhappy into a plastic bag all the meals I'd been offered there. They look at me with awkwardness, showing no indifference. How could a mere second-class traveler, in this luxurious vessel have vomited the delicacies which were offered to him in first-class? With an askance attitude they became silent. I didn´t listen to rumours and made my way handling the plastic bag containing the vomit. Then, pallid, I salluted the sea and dumped in it my empty stomach.